Fernando Dacosta




















































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Fernando Dacosta
Nascimento

12 de dezembro de 1940 (78 anos)
Caxito, Angola colonial
Nacionalidade

português
Ocupação

Jornalista e escritor
Prémios

Ordem do Infante D. Henrique

Magnum opus

O Viúvo, Máscaras de Salazar


Fernando Dacosta ComIH,[1] (Caxito, 12 de Dezembro de 1940) é um jornalista e escritor português.




Índice






  • 1 Vida e obra


  • 2 Obras


    • 2.1 Narrativa


    • 2.2 Romance


    • 2.3 Teatro


    • 2.4 Conto


    • 2.5 Fotobiografia




  • 3 Referências


  • 4 Ligações externas





Vida e obra |


Nasceu no Caxito, a 100 km de Luanda, na Fazenda Tentativa[2] pertencente à Companhia do Açúcar de Angola, onde o pai trabalhava. Quando tinha três anos de idade, devido à saúde frágil da sua mãe, a família mudou-se para Segões, onde passou a infância e depois para Folgosa, na margem sul do Douro onde passou a adolescência. Em criança, ao banhar-se no Douro, ia morrendo afogado e teve uma experiência de quase-morte.[3]


Fez os estudos secundários no Liceu Nacional de Latino Coelho, em Lamego, ingressou depois na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e acabou por se fixar em Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica.


Em 1967, iniciou a sua carreira jornalística a convite de Carlos Mendes Leal, director da delegação da agência noticiosa Europa Press (ligada à Opus Dei) em Lisboa. Dacosta foi destacado como repórter na Assembleia Nacional e no Conselho de Ministros. Foi nessa altura que conheceu pessoalmente Salazar. Oriundo de uma família de anti-salazaristas ferrenhos,[4] Dacosta ficou surpreendido quando, em vez de um temível facínora, se deparou com «um ancião de fortíssima personalidade e energia»,[5] distinto e afável. Nesse tempo, a sua principal fonte seria a governanta de Salazar, Maria de Jesus Caetano Freire, que tendo simpatizado com o jornalista e os seus antecedentes rurais, depressa o tornou seu confidente. A figura misteriosa e carismática de Salazar motivá-lo-ia no futuro a dedicar particular interesse literário à figura do estadista.


Alarmada pelo seu "irremediável anarquismo" e resistência a catequeses, a "Obra" não tardaria a dispensar os seus serviços.[6] A convite de José Cardoso Pires, ingressaria no Diário de Lisboa.[7] Colaborou também em vários outros jornais e revistas como Filme, Flama, Notícia, Comércio do Funchal, Vida Mundial, Diário de Notícias, A Luta, O Jornal, JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, Público, Visão, etc. Participou em vários programas de rádio, de que se destaca Café Concerto de Maria José Mauperrin, na RDP - Rádio Comercial, nos anos 80. Na RTP, em 1991/2, apresentou uma rubrica sobre literatura. Dirigiu os "Cadernos de Reportagem" e foi co-editor das edições Relógio d'Água.


A sua obra reparte-se por vários géneros: reportagem, teatro, romance, narrativa e conto. Homem de esquerda, teve o privilégio de conviver intimamente com algumas das maiores figuras da cultura e da política portuguesa do século XX, da Oposição bem assim como do Estado Novo, que de certo modo se lhe confidenciaram, incentivadas pela sua personalidade discreta e cativante. Privou com Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Agostinho da Silva, Jorge de Sena, D. Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança, Natália Correia, Fernanda de Castro, Franco Nogueira, Amália Rodrigues, entre muitos outros.


A temática da sua obra, de cunho histórico e sociológico, sem contudo deixar de ser marcadamente intimista e mística, centra-se no fim do Império Português e na preservação da memória do período pré e pós-25 de Abril de 1974, reflectida em escritos como O Viúvo, Máscaras de Salazar ou Os Mal-Amados.[8] Ao longo da sua carreira, a sua obra tem sido frequentemente premiada.


A 9 de Junho de 2005 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.[9]


É sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.



Obras |



Narrativa |




  • Os Retornados Estão a Mudar Portugal, Relógio d'Água, 1984 - Prémio Clube Português de Imprensa


  • Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo, edição Público, 1991 - prémios Gazeta e Fernando Pessoa


  • Paixão de Marrocos, Asa, 1992


  • A Clínica das Inovações, Império, 1995


  • A Ilha da Sabedoria, Éter, 1996


  • O Príncipe dos Açores, Asa, 1996


  • Máscaras de Salazar, Editorial Notícias, 1997; Casa das Letras, 2006; Bis, 2012


  • A Escrita do Mar, Correios de Portugal, 1998


  • Nascido no Estado Novo, Editorial Notícias, 2001 (reedição: Os Mal-Amados, Casa das Letras, 2008)


  • Os Mineiros, Audiovisuais, 2001


  • Os Retornados Mudaram Portugal, Parsifal, 2013


  • O Botequim da Liberdade, Casa das Letras, 2013


  • Viagens Pagãs, Parsifal, 2015


  • Amália, a Ressurreição, Casa das Letras, 2017



Romance |




  • O Viúvo, Publicações Dom Quixote, 1988; Casa das Letras, 2007 - Grande Prémio de Literatura Círculo de Leitores


  • Os Infiéis, Publicações Dom Quixote, 1992



Teatro |




  • Um Jipe em Segunda Mão, Ulmeiro, 1983 - Grande Prémio de Teatro RTP, Prémio da Associação Portuguesa de Críticos e Prémio Casa da Imprensa


  • A Súplica, Ulmeiro, 1983


  • Sequestraram o Senhor Presidente, Relógio d'Água, 1984


  • A Nave Adormecida, Teatro Aberto, 1988


  • A Frigideira, 2007 (inédito)



Conto |




  • Onde o Mar Acaba (antologia), Publicações Dom Quixote, 1991


  • Imaginários Portugueses (antologia), Edições Fora do Texto, 1992


  • Um Olhar Português (antologia), Círculo de Leitores, 1992


  • Os Sete Pecados Capitais (antologia), Editorial Notícias, 1998; Casa das Letras, 2005



Fotobiografia |




  • Salazar, Fotobiografia, Editorial Notícias, 2000; Casa das Letras, 2010


  • Amália, uma Força da Natureza, Colares Editora, 2001


  • Fotobiografia de José de Castro, João da Silveira Caseiro, 2005



Referências




  1. ↑ Presidência da República, Alvará nº 25/2005, de 9 de Junho, publicado no Diário da República de 22-11-2005


  2. ↑ Os Mal-Amados, pg. 245


  3. ↑ Brevemente: EXPERIÊNCIAS DE QUASE-MORTE, blogue da editora Ésquilo, 6 de Novembro de 2008


  4. ↑ Com vários familiares perseguidos, presos, torturados e desterrados, um deles deportado no Tarrafal. (Máscaras de Salazar, p. 20)


  5. ↑ Máscaras de Salazar, p. 21


  6. ↑ Máscaras de Salazar, p. 22


  7. ↑ Máscaras de Salazar, p. 23


  8. ↑ Publicado pela primeira vez em 2001 sob o título Nascido no Estado Novo.


  9. ↑ «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Fernando Dacosta". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de fevereiro de 2015 



Ligações externas |



  • Entrevista a Página da Educação www.apagina.pt




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